Tesla diz que o FSD podia ter evitado 167 acidentes em Portugal em quatro meses

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Ivan Komušanac, EU Policy and Business Development Manager da Tesla, veio a público com números concretos sobre o que está em jogo na aprovação do FSD (Supervised) em Portugal. Segundo o responsável, era possível evitar 167 colisões em pouco mais de quatro meses se o sistema estivesse autorizado a circular por cá.


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Os números que a Tesla entregou às autoridades

A Tesla partilhou os dados mais recentes de segurança do FSD (Supervised) com várias entidades portuguesas. O ponto de partida é duro: Portugal é o 5.º pior país da União Europeia em mortes na estrada.

Com efeito, entre 10 de abril e 18 de agosto de 2026, os proprietários de Tesla com hardware HW4 percorreram 192 milhões de quilómetros em condução manual em Portugal. A Tesla pegou nesses quilómetros e aplicou-lhes a taxa de melhoria registada nos cinco países europeus que já aprovaram o FSD (Supervised). O resultado da conta são 167 colisões evitáveis, ou seja, cerca de 38 por mês.

No entanto, convém sublinhar que se trata de uma extrapolação feita pela própria Tesla, assente no pressuposto de que todos aqueles quilómetros teriam sido feitos com o sistema ativo. Não é um estudo independente, portanto, devemos ler este número como uma estimativa da marca, não como um facto apurado por terceiros.

O detalhe que aponta o dedo à regulamentação

A parte mais interessante está na distribuição: das 167 colisões, 135 aconteceriam fora de autoestrada. E é exatamente esse o tipo de situação que o regulamento em vigor, o UN ECE R171.01, impede que estes sistemas mitiguem.

Por outras palavras, a norma que hoje regula os sistemas de assistência à condução na Europa tem mais em conta a condução em autoestrada. Em estrada nacional, dentro de localidades ou em cruzamentos — onde acontece a maioria dos acidentes graves em Portugal — o software está legalmente limitado no que pode fazer. Komušanac argumenta que cada mês adicional sem aprovação significa manter travagens bruscas, ativações do travão automático de emergência e colisões que os dados mostram serem evitáveis.

O que se segue na Europa

Por fim, o calendário ajuda a perceber a pressão. Está prevista para 6 de outubro uma votação a nível europeu que pode alargar o FSD (Supervised) para lá dos cinco países que já o autorizaram. Nesses mercados, mais de 70 mil clientes usam a tecnologia e percorrem em conjunto mais de um milhão de quilómetros por dia.

Em Portugal, por enquanto, quem paga o FSD continua sem o poder usar. Dessa forma, esta divulgação de dados serve claramente de argumento junto dos reguladores — mas também obriga a Tesla a expor os seus números ao escrutínio público, o que não deixa de ser um passo relevante num tema em que a transparência tem sido escassa.


Fonte: Ivan Komušanac no LinkedIn