A Tesla marcou a data para a “re-apresentação” do novo Roadster: 1 de outubro. A confirmação chegou este sábado dia 12 de setembro, através de uma publicação na conta oficial da marca no X. Aí, podemos ler a legenda “Go for launch”, uma frase que se usa numa contagem decrescente de lançamento de foguetões, e a data “10.01”. Pouco depois, a própria página do Roadster em tesla.com passou a mostrar um contador a descontar até esse dia.
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A imagem diz mais do que o texto
Curiosamente, a Tesla não nomeia o carro em lado nenhum. A imagem mostra a traseira de um carro baixo e largo quase às escuras, com uma barra de luz vermelha a toda a largura e quatro jatos brancos a sair da zona de trás. Além disso, há texto escondido: entre os jatos e a barra de luz lê-se “WHERE WE’RE GOING”, praticamente invisível a não ser que se levantem as sombras da fotografia. É a deixa do Regresso ao Futuro que acaba com “não precisamos de estradas”.
Os propulsores da SpaceX
Aqueles quatro jatos são a parte importante. Desde 2018 que Elon Musk fala num pacote opcional de propulsores de gás frio desenvolvido pela SpaceX — sistemas que expelem ar comprimido a alta pressão, sem combustão — e desde 2021 que diz querer que o carro levante do chão. Segundo o The Information, o sistema ocupa a zona dos bancos traseiros com cerca de dez propulsores e um depósito de ar de alta pressão. A mesma reportagem indica que a versão com este pacote não deverá ser legal para circular na estrada, existindo em paralelo um Roadster convencional sem o sistema completo. Ou seja: o que aparecer a 1 de outubro pode muito bem ser uma demonstração, e não o carro que os clientes vão receber.
Com efeito, é bom enquadrar o entusiasmo. A Tesla apresentou o Roadster de segunda geração em novembro de 2017, ao lado do Semi, prometendo 0-96 km/h em 1,9 segundos, velocidade máxima acima dos 400 km/h, cerca de 1.000 km de autonomia e entregas em 2020. Nenhum desses valores foi alguma vez homologado — nem pela EPA (a agência norte-americana) nem pelo WLTP, o ciclo que se usa na Europa e que tende a dar autonomias mais generosas. Desde então, a data de produção passou por 2022, 2023, 2024 e “2025-2026”. Depois, na assembleia de acionistas de novembro de 2025, Musk apontou uma demonstração para 1 de abril de 2026 e admitiu ter escolhido o Dia das Mentiras porque lhe dava “negação plausível”. Essa data passou. Seguiu-se “final de abril”, depois agosto, e também não aconteceu.
O que isto muda para quem está em fila
Para já, pouco. As reservas continuam abertas, mas a Tesla retirou os preços do site — 200 mil dólares para a versão base e 250 mil para a Founders Series, com 50 mil dólares de sinal. Musk colocou a produção 12 a 18 meses depois da apresentação, o que aponta para 2027 ou 2028.
Ainda assim, há sinais concretos de que o projeto está vivo: a Tesla registou duas marcas no organismo de patentes dos EUA em fevereiro, uma delas com uma silhueta mais afilada do que o protótipo de 2017, e Lars Moravy confirmou que o carro será produzido na Gigafactory do Texas. Em suma, a 1 de outubro é provável que se veja alguma coisa. Se é um carro ou um anúncio, veremos.

