Tesla Q2 2025: Autonomia, inteligência artificial e energia em destaque

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A Tesla divulgou os seus resultados para o Q2 2025 (segundo trimestre de 2025), e os dados revelam muito mais do que apenas números. A empresa reforçou a transição de fabricante de veículos elétricos para uma líder global em inteligência artificial, energia sustentável e mobilidade autónoma.


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Primeiras entregas autónomas e estreia do Robotaxi

Entre os marcos mais importantes do trimestre, destaca-se o lançamento do serviço Robotaxi em Austin. Por outro lado, a Tesla realizou uma entrega completamente autónoma, sem qualquer pessoa a bordo. O carro percorreu o trajeto entre a fábrica e o cliente de forma autónoma, utilizando apenas o sistema FSD.

Além disso, a Tesla confirma que esta funcionalidade foi possível graças à combinação entre o software FSD, o poder computacional do supercomputador Cortex e os milhões de quilómetros de dados reais recolhidos da frota.

Com efeito, este sistema continua a evoluir diariamente com novas situações do mundo real — e isso traduz-se em melhorias evidentes a cada atualização.

Resultados financeiros sólidos, mesmo com pressão no mercado

Apesar do contexto macroeconómico desafiante, a Tesla manteve estabilidade operacional. As receitas atingiram 22,5 mil milhões de dólares, com 2,5 mil milhões de fluxo de caixa e 923 milhões de lucro operacional. Ainda que as receitas tenham sofrido uma queda de 12% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, a margem operacional manteve-se estável nos 4,1%.

Neste cenário, a Tesla demonstrou resiliência graças ao crescimento das áreas de energia, serviços e software, compensando a desaceleração temporária nas entregas de veículos.

FSD Supervisionado prepara-se para a Europa

Durante o trimestre, o FSD supervisionado foi testado em várias cidades da Europa — incluindo Roma, Madrid, Paris e, mais recentemente, Berlim. A empresa só depende agora da aprovação dos reguladores para começar a expandir o sistema de forma oficial no continente.

Entretanto, o modelo de condução assistida da Tesla continua a melhorar com base em dados reais, o que contra-ataca diretamente uma das críticas mais comuns à abordagem “vision only”. A evolução do FSD já se faz sentir no dia a dia de milhares de utilizadores norte-americanos.

Dito isto, sou da opinião que não se perdia nada em ter algum tipo de sensor adicional no carro para ajudar na condução. Por exemplo, em condições de pouca visibilidade e ajuda ao estacionamento. Mas se há algo que a Tesla gosta de “otimizar” é nos custos, pelo que não creio que esses sensores voltem aos veículos da construtora norte-americana.

Negócio de energia bate recordes históricos

A Tesla atingiu um novo pico na área de armazenamento energético, com 9,6 GWh instalados no segundo trimestre. O crescimento da unidade de energia refletiu-se também nos lucros: o segmento registou um aumento de 64% no lucro bruto face ao trimestre anterior. Além disso, a nova fábrica de Megapack na China já deu início às operações.

Por outro lado, a rede Supercharger cresceu consideravelmente e superou os 70.000 SuC’s a nível global. Este crescimento acompanha a estratégia da empresa de tornar o carregamento mais acessível, rápido e adaptado à próxima geração de veículos autónomos.

Embora não haja novidades relativamente à situação portuguesa, mantém-se a esperança de promulgação em breve do novo regime jurídico da mobilidade elétrica em Portugal. Isso permitirá a abertura de novos Superchargers em Portugal e expansão dos atuais, conforme já comentámos aqui no blogue.

Veículo 8 milhões e expansão no Model Y

A Tesla ultrapassou a marca dos 8 milhões de veículos produzidos, reforçando a sua posição como o maior fabricante de elétricos do mundo. O destaque vai para a expansão da família Model Y, com a nova versão Long Range RWD lançada nos EUA e a chegada do modelo ao mercado indiano.

Além disso, o novo Model 3 renovado obteve 5 estrelas Euro NCAP, sendo considerado o automóvel mais seguro da Europa face aos critérios atualizados.

Inteligência artificial e Cortex

O supercomputador Cortex continua a escalar e deverá ultrapassar as 67.000 GPUs equivalentes H100 até ao final de setembro. Este poder computacional é o motor por trás da melhoria constante do FSD, dos testes do Robotaxi e, mais adiante, da integração do robô humanóide Optimus.

A Tesla relembra ainda que todos os veículos fabricados desde 2017 continuam a receber atualizações via software. O compromisso com a melhoria contínua — mesmo anos após a compra — continua a ser pioneiro na indústria.

O que esperar para o segundo semestre

Testes internos já decorrem com um novo modelo mais acessível, projetado para produção em massa e lançamento global. A produção deverá arrancar antes do final de 2025, com o objetivo de reduzir ainda mais as barreiras de entrada na mobilidade elétrica.

Em paralelo, o Cybertruck aproxima-se do ritmo de produção desejado, ao mesmo tempo que os preparativos para o Cybercab continuam a avançar. Ambos os modelos deverão ser produzidos em massa já em 2026.

Em suma, o segundo trimestre de 2025 mostra uma Tesla em velocidade de cruzeiro rumo ao futuro. A integração de IA, a aceleração do FSD, os primeiros passos no Robotaxi e a expansão na área energética mostram a diversificação de produtos da marca e que não se limita a fabricar automóveis.