O meu Tesla Model 3 Standard Range Plus de 2021 deixou-me ficar mal aos 143.000 km: a bateria de alta tensão falhou de vez. Aconteceu numa viagem entre Abrantes e as Caldas da Rainha e, em poucas horas, passei de um carregamento normal para um carro encravado nos 31% de carga. A boa notícia é que estava dentro da garantia, por isso a Tesla vai trocar a bateria e eu não pago nada. Deixo-vos aqui o relato completo, do erro no ecrã até ao orçamento que vi na fatura.
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O que aconteceu na estrada
O carro é um Model 3 SR+ fabricado nos Estados Unidos, com a bateria original Panasonic 2170L (química NCA) de cerca de 55 kWh, dos quais 51 kWh úteis. Antes desta falha já tinha 21% de degradação, ou seja, andava com 79% da capacidade inicial. Nada de alarmante para os quilómetros que leva, mas a verdade é que o problema não veio da degradação.
Na viagem parei num posto BP Pulse e carreguei até aos 69%. Depois fiz uma pausa e, quando voltei ao carro, apareceu o primeiro alerta: o erro BMS_A079, que aponta para um problema no sistema de gestão da bateria. Pouco depois surgiu o BMS_A074, a avisar que a capacidade máxima de carregamento estava limitada. A partir daí o carro deixava-me conduzir, mas só com avisos constantes. Pior: o carregamento ficou preso nos 31% e, mesmo a tirar e a pôr o cabo, não passava daí.
Assim, pedi assistência diretamente pela aplicação da Tesla – sem telefonemas nem filas. A Tesla fez um diagnóstico remoto e, cerca de duas horas depois de começar a analisar, confirmou o pior: a bateria de alta tensão tinha mesmo de ser substituída. Como o carro não dava para fazer a viagem, o seguro tratou do reboque desde Abrantes até ao centro de assistência de Belas.
Aqui fica uma nota importante para quem passe pelo mesmo: o transporte foi pelo seguro, por isso vale a pena confirmarem a cobertura de assistência em viagem antes de uma situação destas.
Quanto custou (ou melhor, quanto não custou)
O Model 3 está dentro do período de garantia da bateria, que é de 8 anos ou 160.000 km, o que acontecer primeiro. Por isso, o custo para mim foi de 0 €. Ainda assim, por curiosidade, pedi a fatura discriminada e o valor da reparação rondava os 9.000 €, já com IVA e mão de obra incluídos. Dá que pensar sobre a importância de comprar dentro da garantia e de a vigiar com atenção.
Em casos de garantia, a Tesla não coloca uma bateria nova de fábrica, mas sim uma recondicionada. No meu caso será do mesmo tipo, a Panasonic 2170L, com uma saúde igual ou superior à que o carro tinha antes da falha, portanto pelo menos 79%. Há um pormenor que convém perceber: não existe “garantia sobre garantia”. Ou seja, a bateria nova mantém o prazo original do carro, que vai até 2029 ou aos 160.000 km.
Durante a reparação, a Tesla deu-me duas opções de apoio: um voucher Uber de 80 € por dia ou um carro de cortesia, este último sujeito a disponibilidade e a fila de espera. Quanto ao tempo, a estimativa oficial inicial foi de cerca de um mês, entre 3 a 4 semanas. No entanto, relatos de outros utilizadores na mesma situação apontam para prazos reais que variam entre 6 semanas e 3 meses. Por isso, fico de pé atrás e vou contando como corre.
No fim, o que fica é isto: uma avaria cara que, graças à garantia, não me pesou no bolso. Assim que tiver o carro de volta com a bateria nova, conto-vos como ficou a autonomia.

